Luca Argel mapeia no álbum 'O homem triste' a jornada de masculinidade tóxica que contamina meninos já na infância

  • 13/01/2026
(Foto: Reprodução)
Capa do álbum 'O homem triste', de Luca Argel Obra de Marina Poppovic ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: O homem triste Artista: Luca Argel Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Luca Argel estranhou quando notou o afilhado mais agressivo ao voltar da escola. O menino passou a rejeitar cores, roupas e brinquedos de que antes gostava. Argel concluiu que, na convivência com os colegas da escola, o afilhado começara a ser contaminado por noções equivocadas que fizeram nascer, como efeito imediato, a semente de masculinidade tóxica que germina na alma dos homens desde a infância e, uma vez germinada, rege atitudes machistas na vida adulta. Nasceu dessa percepção a ideia de “O homem triste”, quinto álbum autoral de Argel, cantor, compositor e músico carioca que migrou para Portugal em 2012. “O homem triste” chega ao mundo fonográfico digital em 23 de janeiro com produção musical de Moreno Veloso e capa que expõe obra criada pela artista visual Marina Poppovic em sintonia com o conceito do disco. Sim, “O homem triste” é álbum conceitual em que, ao longo de nove canções autorais, Luca Argel mapeia a jornada de masculinidade tóxica na vida de homens que se tornam travados e tristes ao notarem que caíram na armadilha social de camuflar emoções. O álbum “O homem triste” está alinhado com o conceito do disco anterior do artista, “Meigo energúmeno – Luca Argel canta Vinicius” (2025), EP em que Argel questionou o machismo embutido em letras do compositor e poeta Vinicius de Moraes (1913 – 1980). A estrofe inicial da letra da boa música-título “O homem triste” – “Foi na TV que aprendi a ser homem / Foi na escola e nos filmes de herói / Ser o maior, o mais forte, o primeiro / E ainda não sentir-se inteiro” – sintetiza o argumento do álbum gravado por Argel entre Rio de Janeiro (RJ) e Almada (Portugal) com banda estelar formada pelos músicos Alberto Continentino (baixo), Domenico Lancellotti (bateria), Leo Martins (percussão), Pedro Sá (guitarra) e Pri Azevedo (piano, sanfona e teclados), além do próprio Moreno Veloso (no prato e na faca) e de cordas orquestradas por Marcelo Caldi. A letra da faixa-título embute citações de versos das músicas “Canal zero” (Manel Cruz, 2008) e “Homem” (Caetano Veloso, 2006). A intenção do artista de apresentar um cancioneiro de acento mais pop, interpretado de forma mais exteriorizada, esbarra na suavidade natural do canto quase cool de Luca Argel e na (apropriada) opção por uma sonoridade mais íntima. Destaque da safra autoral do álbum, “Primeiro mar” tangencia a onda calma de um reggae com versos poéticos como “O primeiro mar de todo mundo / Fica dentro de uma mulher / E no seu olhar fica o segundo / De onde ninguém sai porque quer”, sínteses da ligação uterina que todo homem tem como uma mulher ao nascer para a vida. “Tive que mentir” dá sequência à jornada reflexiva do álbum de Argel com o mesmo grau de inspiração. Em “É pedir demais?”, canção ambientada em atmosfera de bossa nova, o cantor e compositor rejeita cobranças por perfeições poéticas e vocais em atitude simpática já que eventuais fragilidades são detectadas ao longo de “O homem triste” sem comprometer a beleza da obra. “Homem / Onde escondes as palavras quando as forças somem?”, questiona Argel nos versos iniciais de “Homem (a canção)”, faixa em que o artista expõe os limites masculinos na exploração do prazer oferecido pelo próprio corpo. “Poço / De tesouros da sola do pé até o pescoço / De textura e aromas da casca ao caroço / Onde é permitida a dor / E o dar”, rima o cantautor, jogando bem com as palavras. O toque da sanfona de Pri Azevedo embala “Meu irmão”, canção que sublinha a ternura, a delicadeza e a poesia que guiam Argel neste álbum sensível antecedido por dois singles, sendo um deles “Arqueologia de armário”, samba cool apresentado em 9 de janeiro com as cordas que adornam a maior parte das faixas de “O homem triste”. O samba se exterioriza em “Se acabou”. E, por falar em fim, “O homem triste” tem um fecho como todo bom álbum conceitual. Única música assinada por Luca Argel com um parceiro (no caso, César Lacerda), a canção “Quando a cura começa” antevê, sobre acordes de piano, uma luz na escuridão em que homens são jogados ainda na infância. “Não há tempo pro pavor / E não há tempo pra adiar o amor”, pondera Argel na canção final. Ainda que o cancioneiro do artista não tenha uma assinatura realmente original, o álbum “O homem triste” eleva a Arte de Luca Argel a um novo patamar na música do século XXI. Numa era em que a maioria das músicas parece flores de plástico, Lucas Argel se alimenta de emoções e reflexões reais em “O homem triste”.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/01/13/luca-argel-mapeia-no-album-o-homem-triste-a-jornada-de-masculinidade-toxica-que-contamina-meninos-ja-na-infancia.ghtml


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